quinta-feira, 22 de setembro de 2016

ELEIÇÕES 2016 - Entrevista Odelondes à Rádio Som Maior



Odelondes de Souza (PSOL) foi o entrevistado de ontem na segunda rodada de entrevistas individuais com os candidatos a prefeito de Criciúma na rádio Som Maior. A série de entrevista encerra hoje, no programa Adelor Lessa, a partir das 7h30min. A ordem foi definida por sorteio.

"Eu governo com o povo e para a sociedade." 
 Imagem: Suelen Bongiolo


Por Renam Medeiros

Adelor Lessa: Estamos na reta final da campanha, Odelondes. Foi uma eleição diferente, curta, com várias circunstâncias. Qual a tua leitura dessa campanha? No que ela está sendo diferente?

Odelondes de Souza: Lessa, antes de responder a essa pergunta, permita-me falar sobre o Dia da Paz. Hoje é Dia da Paz, dia em que todo mundo deve celebrar, todos os povos, os que se empenham pela afirmação de sua soberania e seus direitos e clamam pela paz, liberdade e justiça. Então, paz ao nosso povo. Paz a todos os povos. O que diferencia essa campanha, em particular, primeiro é o tempo. E a maturidade. Nós adquirimos mais maturidade. Fomos candidatos em 2008, 2012 e 2016. Nós aprendemos um pouco mais sobre Criciúma e sabemos, de fato, Lessa, o que Criciúma precisa. Nós diagnosticamos todas as suas necessidades, seus gargalos e sabemos que Criciúma precisa mudar de rumo. Criciúma precisa mudar a sua forma de gestão, precisa mudar a sua forma de arrecadar recursos para investir aqui. Nós aprendemos que o retorno dos impostos para Criciúma é pífio, é pequeno. Temos que lutar por retorno dos recursos federais, estaduais para Criciúma. O que modifica é isso. A gente está mais madura, vê Criciúma de outro jeito. E o tempo. O que nos diferencia, também, é que ficamos só com 17 segundos na TV. É um tempo que não dá para a gente explicar para a população o que a gente pensa. Eu pediria para a população nos pesquisar nas redes sociais e nos perguntar, realmente, nos indagar sobre o nosso projeto. É possível que isso melhore a nossa campanha por conta dessa possibilidade.

Lessa: Odelondes, o senhor foi candidato em 2008 e 2012. Desde 2008, como candidato, político e cidadão, no que a cidade progrediu e no que andou para trás?

Odelondes de Souza: Lessa, ela progrediu pouco. Na sua particularidade, os empresários se modernizaram, outros reinvestiram, mas o Poder Público não teve a capacidade de colocar Criciúma em outro patamar. A saúde, por exemplo. Nós temos aí a UPA, com 2,6 mil metros quadrados de construção. Ontem eu medi passo a passo. A UPA não está funcionando. Nós temos hospital supercarregado. Isso é de vida que a gente está falando. Nós temos o Hospital Santa Catarina, nós temos o transporte coletivo, nós temos uma ciclovia sugerida por mim em 2008 e nada foi feito. Nós temos a revitalização da Santos Dumont, por exemplo, onde os empresários mudaram os aspectos das empresas, deixaram elas bonitas. Você anda por aquela rua e vê as empresas modernizadas, com vidros, muito bacana. Ontem eu estive lá. Mas a rua está quase do mesmo jeito. Você vê que teve coisas que não avançaram. Nós precisamos criar alternativas para a educação. Criar alternativas maiores para fazer a escola continuada, a escola integral, educação integral. Nós precisamos dar um passo à frente e foram dados muitos passos atrás, ou foi estagnado, ficou no mesmo lugar. Eu percebi, de 2008 para cá, nosso diagnóstico social que não é bonito, não é bacana. Nós precisamos melhorar muito.

Renan Medeiros: O senhor comentou que pretende aumentar os repasses estaduais e federais para Criciúma. Como fazer isso?

Odelondes de Souza: Renan, nós sempre tivemos grandes recursos engavetados nos ministérios. Sempre. Se você abrir os ministérios, nós temos recursos no Ministério da Saúde, o Fundeb, mesmo, da educação, nós temos recursos para transporte coletivo, nós temos recurso para conserto de creche, nós temos vários recursos lá colocados também no Estado. O que cabe a nós é mobilizar a política e os políticos daqui que foram incompetentes até agora. Foram incompetentes porque já eram para ter colocado na LDO deste ano para ser eleito o hospital regional. Passou na audiência pública aqui em Criciúma. E tem vários recursos estaduais e federais que a gente pode buscar para obras. O dinheiro bom da arrecadação é impossível colocar em obras aqui porque não tem recurso. Ele complementa, por exemplo, 33% na saúde, ele complementa uma parte da educação. Então não tem como colocar o recurso da arrecadação daqui em obras pesadas, como o anel viário, como o binário, como duplicação de avenidas, revitalizações grandes. Nós precisamos ir atrás de recursos. É possível. E também é possível fazer um mandato enxuto. Nós precisamos enxugar um pouco a máquina. Não colocando trabalhadores para a rua. É, por exemplo, diminuindo os R$ 13 milhões que pagamos para enterrar nossos resíduos sólidos, por ano. Precisamos reverter isso. No nosso mandato nós vamos criar duas cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos inorgânicos e duas usinas de compostagem de resíduos orgânicos, no primeiro ano. Por quê? Porque esses R$ 13 milhões nós podemos colocar nessa construção que é fácil de resolver, criando 600 empregos e colocando um pouco desse recurso para lá, para as cooperativas. Com logística, carros, caminhões para carregar, com um trabalho de usina de compostagem que é simples e, também, para a educação, para a conscientização da população em fazer a limpeza do seu lixo, dos seus resíduos, para jogar nessa cooperativa. Nós temos que fazer ações imediatas. Pequenas ações que vão, no fim, dar um resultado positivo nas finanças, no crescimento da cidade e na visão de uma cidade sustentável. Nós temos muitas formas de pegar esses recursos, pode ter certeza. Eu conheço essa área. Eu vou cavar em todos os lugares do Estado e da Federação para buscar recursos.

Lessa: Hospital Infantil Santa Catarina, Odelondes. A alternativa tentada pelo atual governo, com contrato com o Isev para gestão do hospital, não deu certo. Porque faltou dinheiro da Prefeitura para pagar ponto e porque teve problemas com o instituo na gestão do hospital. Pelo que está anunciado, está sendo rescindido, está sendo rompido o contrato. No entendimento do PSOL, qual a melhor alternativa para a gestão do hospital?

Odelondes de Souza: Pelo município. O Município tem que abraçar, parar de terceirizar e pagar muito mais caro. Se você paga para o ISEV um valor ‘x’, é evidente que está lá o lucro dele e estão lá outros valores que a prefeitura não teria incorporado. A Prefeitura tem que abraçar isso com dinheiro estadual, claro. Na verdade, ele é administrado pela Prefeitura, mas com recurso estadual. Temos que entender isso. Precisamos tornar aquele hospital público e trazer, não só a pediatria, mas temos que tirar do Hospital São José imediatamente, até construir o hospital público regional, as senhoras e as mulheres que ganham neném. Estou falando uma linguagem bem popular, a geriatria. Nós temos de 25 a 30 leitos para desafogar o Hospital São José e colocar no Santa Catarina para que as mães, ao ganhar os bebês, já fiquem ali com todas as condições, com pediatria, com acompanhamento, com pré-natal. Nós precisamos otimizar o Hospital Santa Catarina e o Município tem capacidade técnica para fazer a gestão disso. Nós vamos, também, otimizar. Precisamos ter capacidade e eficácia, porque senão a coisa não acontece.

Lessa: A campanha deste ano está sendo marcada por ser pobre de conteúdo, frágil de conteúdo. Não há discussões muito fortes sobre conteúdo. O senhor acha que isso acontece por causa da judicialização? Isso prejudicou o conteúdo da campanha?

Odelondes de Souza: Prejudicou, Lessa, é uma grande pergunta. Prejudicou. Tem candidato pisando em ovos por aí. Tem candidato que não identifica nem o seu partido, não identifica o seu número. Nós não. Nós temos orgulho em dizer quem somos. Nós tentamos enriquecer, fazer propositivo o debate. Ficou um debate pisando em ovos, porque ninguém quer dizer a verdade. Fica uma coisa complicada. Empobreceu e a cidade não precisa disso. Eu penso que nós precisamos fazer debates propositivos, colocar grandes questões. Nós do PSOL estamos tentando isso, colocar todas as questões bem aprofundadas, mesmo as questões políticas. E eu acho que a possibilidade desse candidato ser cassado ou não ser fica uma coisa que para nós do PSOL é muito clara. Quem dá estabilidade jurídica é o Poder Judiciário. É ele que tem que determinar, ele que tem que dar essa estabilidade. A instabilidade é feita pelos próprios candidatos, que ficam querendo disputar a política na Justiça. Eu acho que a Justiça deveria determinar, ela está lá para isso, porque se nós dois aqui nos digladiarmos, quem tem que estar ao nosso meio é o Estado, são os nossos magistrados. Eles que têm responsabilidade de não deixar esse estado político e jurídico em Criciúma. Deixou um pouco de ser aquela política de falar mesmo, de projeto, de avançar e ficou meio que pisando em ovos. E tem candidato aí querendo só o voto. Ficou muito eleitoreiro. Candidato muito ‘paz e amor’. Não é só isso. Nós precisamos de paz, de amor, de fraternidade, mas precisamos dizer o que é preciso fazer e dizer aos candidatos que eles estão errados. Tem candidato procurando só os seus votinhos aí. Isso é muito feito e muito ruim.

Renan: O PSOL tem apenas um candidato a vereador e o PCB tem só uma candidata a vereadora. Como seria administrar tendo, na melhor das hipóteses, dois vereadores na Câmara?

Odelondes de Souza: Renan, você me colocou uma pergunta que, para mim, é com muita tranquilidade. Como eu te disse, a Prefeitura de Criciúma é governada pelos servidores públicos. Na Câmara de Vereadores é feita a legislação e a fiscalização. Eu governo com povo, com os conselhos, para a sociedade de Criciúma. Se um vereador tentar acabar com um projeto popular da Prefeitura, do Odelondes, do PCB ou do PSOL na Câmara, eu faço três ou quatro rodas de mãos dadas naquela prefeitura e eu loto a Câmara e a praça pública para dizer qual vereador que votou contra o projeto popular. Não estou tirando o direito do vereador se manifestar, mas eu jamais admitirei que o vereador ‘x’ ou ‘y’, em nome da governabilidade, eu ficar pisando em ovos com ele, porque ele está fazendo um papel público. Ele vai ter que fazer papel público, custe o que custar.

Lessa: Está melhor fazer campanha neste ano do que em 2012 e 2008? As pessoas estão mais interessadas?

Odelondes de Souza: Todos os dias, eu tenho orgulho de ver as pessoas dizerem ‘meu voto é seu, você está no caminho certo’, mas tem muita gente odiando a política. E isso me abre a possibilidade de dizer: você é corresponsável pelo que está acontecendo em Criciúma. Você tem que vir para a política, tem que decidir o seu voto, tem que votar certo, para que Criciúma entre no rumo. Porque as pessoas, Lessa, ao se ausentarem da política, desse processo, jogando nós todos na vala comum, é muito ruim para a política. Nós não podemos dizer que todos os empresários são mau caráter. Não podemos dizer que todos os políticos são mau caráter. Precisamos separar o joio do trigo. Precisamos dizer e tomar posição mais clara na política. Está muito difícil fazer política porque as pessoas estão odiando. Em nome dessa corrupção, de maus tratos ao povo e de má governabilidade, jogam todo mundo na mesma vala. Isso tem dificultado, preocupa. Porque as pessoas têm que dar um passo à frente. Têm que se conscientizar de que a política é importante para uma nação. É necessário que a pessoa participe, tome posição, vote. Não deixe de votar. Tome posição com relação aos partidos, aos candidatos, isso é muito importante. E que nos aceite. Eu estou visitando casa a casa, pedindo permissão para entrar nas casas e nos comércios para colocar a nossa proposta. Isso tem que ser recíproco.

Lessa: Odelondes, os problemas da cidade estão aí. Desde as calçadas detonadas, esburacadas e as pessoas correndo risco de tombar aqui e ali. Até o problema do Hospital Infantil Santa Catarina. Como enfrentar esses problemas com o caixa furado da Prefeitura, que fecha este ano com um déficit de, mais ou menos, R$ 50 milhões? De onde buscar dinheiro?

Odelondes de Souza: Eu vou ter oportunidade de responder agora algo que não respondi ao Renan. Aqui em Criciúma, temos um quadro de fiscais pequeno. Temos que criar condição para que o quadro de fiscalização vá para a rua e, primeiramente, fiscalizar bancos. Precisamos cobrar impostos progressivos, de quem tem mais. Tem muita gente pagando, em condomínio fechado, nas mansões, imposto rural. Porque a característica do imóvel é na zona rural. Nós temos que torná-lo urbano, cobrar IPTU. Isso representa R$ 400 mil a R$ 500 mil. Isso que a gente ainda não viu todos os aspectos. Nós precisamos cobrar, mas otimizar os recursos, economizar dos R$ 13 milhões dos resíduos sólidos, parar com as terceirizações que levam muitos recursos para fora, e ir atrás de recursos bons, de cobrança de ISS, por exemplo. Os bancos têm que pagar imposto para Criciúma. Há pouco tempo foi feito um contrato com uma empresa com possibilidade de arrecadação. Nós não. Vamos pegar nosso próprio corpo fiscal, para fiscalizar e cobrar esse imposto para a prefeitura. Imposto bom, garantido, para não ter dúvida, depois, de ter que pagar como precatório para essas empresas se eles ganharem na Justiça a ação de que o imposto não deveria ser cobrado, por exemplo, como nesse caso da empresa que a Prefeitura contratou há pouco. É ir atrás de recurso, diminuir o custo da Prefeitura do ponto de vista da otimização e investir. E fazer parceria com as empresas. Por exemplo, calçada é o morador que tem que fazer. Basta você solicitar e dar prazo para ele arrumar a calçada dos seus imóveis. As calçadas estão estragadas não por conta da Prefeitura, mas tem que fazer a parceria numa boa com o morador, com o dono do comércio, para que ele arrume a calçada num prazo, com padrão específico para a cidade e para aquela região. Eu acho que dá para fazer. O que nós precisamos é trabalhar, fazer plenária, fazer audiência pública, convocar o povo, convocar a sociedade para ajudar a administrar. Só deixar com a Prefeitura para que ela faça tudo, não é possível. Por isso que apostamos em conselhos populares, conselhos públicos que sejam deliberativos e representativos.

Renan: Odelondes, o senhor já tem em mente quem seriam as pessoas que ocupariam os cargos do primeiro escalão?

Odelondes de Souza: Tenho sim, até porque não vamos precisar de muita gente. O servidor público de carreira já vai subir nos seus cargos para administrar os seus setores.

Renan: Quem são as pessoas?

Odelondes de Souza: Por exemplo, nós temos o Tiago, o Daniel Russo, o Júnior, o Darlan na educação, e outros técnicos. Não necessariamente seriam do partido. Porque essa história, essa cultura, de levar gente do partido debaixo do braço, isso não serve para mim. Eu posso levar técnico de fora. E conheço muita gente aqui que poderia vir para a Prefeitura para trabalhar como técnico na área financeira, na área técnica de qualquer outro setor. Mas vou dar prioridade ao servidor público que está lá dentro, que conhece a área. Tem doutor em algumas áreas que podem fazer um papel fundamental para a sociedade de Criciúma.



Fonte: Rádio Som Maior e Jornal A Tribuna.


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Equipe de Comunicação Psol Criciúma.

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