Por Thiago Minervino
Li esta semana em um blog desses ligados mais à esquerda, uma matéria assinada pelo jornalista Breno Altman do Opera Mundi, em defesa do projeto de lei estapafúrdio da Câmara dos Deputados que pôs em votação à surdina, na calada da noite, na última segunda-feira 18, que pretendia anistiar todos os políticos que porventura tenham sido beneficiados com doações ilegais para financiar suas respectivas campanhas eleitorais.
No texto, Altmann condena apenas os métodos “adotados por certas lideranças da Casa” que “à sorrelfa e à socapa” resolveram votar essa ” questão de tal relevância”. O jornalista alicerça seu texto na parcialidade do Ministério Público Federal e do Judiciário que tende a criminalizar unicamente um partido, no caso, o PT.
Compreender esse assunto sob esse ponto de vista, é a mesma coisa que concordar com a épica afirmação de Maquiável, de que os fins justificam os meios. Entretanto, parece óbvio que uma coisa não justifica a outra. Se o MP e o Judiciário agem de maneira parcial, cabe à população ser mais incisiva. Agora perdoar político ladrão, independentemente do partido, é outra história.
Parece óbvio para qualquer um que doação ilegal, quando o Tribunal Superior Eleitoral não tem conhecimento, é um indício claro de que, se eleito, haverá um beneficiamento ilegal do doador por parte do órgão público. Se paira sobre alguém a desconfiança, os recentes casos de corrupção deflagrados mostram que não houve, até o momento, nenhuma exceção.
O Brasil é reconhecido internacionalmente como um país que serve apenas aos desígnios da elite e de quem, de certa forma, detém o poder. Foi assim com os militares que deram o golpe de Estado em 1964 e depuseram o presidente João Goulart.
Mesmo com crimes perpetrados contra o Estado que massacraram a Constituição Federal, os militares foram perdoados por seus crimes que culminaram na morte de centenas de pessoas, outros tantos feridos e desaparecidos, sem que ao menos um dos criminosos tenha sofrido qualquer penalidade. Ao contrário, foram ANISTIADOS e ainda homenageados com nomes em escolas e logradouros.
Calados, e à espera de um ato de coragem – se é que podemos chamar assim – nenhum dos deputados sequer tiveram a cara de pau de defender à medida que, graças à ação do PSOL e da Rede, não foi votada.
A verdade é que os congressistas estão receosos com os desdobramentos da Lava Jato e, principalmente, com uma eventual delação da Odebrecht (principal empresa envolvida nos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro da Petrobrás) que já está em negociação com a força tarefa da Lava Jato, e, se consumada, cairá como uma bomba em Brasília. Em março desse ano, uma lista com o nome de 200 políticos e seus apelidos, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), Lindberg Farias (PT-RJ), o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), entre tantos outros, vazou na imprensa.
Essa foi a segunda vez que o Congresso Nacional agiu para se safar da justiça. Conforme áudios divulgados pela Folha de S. Paulo, caciques do PMDB (o presidente do Senado Renan Calheiros, o principal articulador do governo de Michel Temer na época, Romero Jucá e o ex-presidente da República José Sarney) tentaram agir para “estancar a sangria da Lava Jato”. Para tanto, a saída de Dilma Rousseff da Presidência seria decisiva.
Fonte: Blog Contextualizando
Equipe de Comunicação Psol Criciúma.

Nenhum comentário:
Postar um comentário