sexta-feira, 30 de setembro de 2016

ARTIGO - Comparativo de Usinas de Triagem: Passado e Presente


Comparativo de Usinas de Triagem - Passado e Presente

Por Professor M. Sc. Mario Ricardo Guadagnin

Quem sabe um dia o caráter de Criciúma será como do de Ândria de Calvino “Do caráter de Ândria, duas virtudes merecem ser recordadas: a confiança em si mesmos e a prudência. Convictos de que cada inovação na cidade influi no desenho do céu, antes de qualquer decisão calculam os riscos e as vantagens para eles e para o resto da cidade e dos mundos”.

É necessário politizar a relação dos catadores com a cidade! A luta dos catadores de materiais recicláveis usando uma expressão de Lefebvre é pelo “direito à cidade” pelo direito de trabalhar com dignidade, pelo direito de falar com igualdade, pelo direito de remuneração pelos serviços prestados para a sociedade, pelo direito de visibilidade.

Criciúma já possui um Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e um Estudo de Concepção para implantação de Sistema de Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos com foco específico em coleta seletiva.

Os trabalhos e estudos técnicos, tanto do plano de gestão integrada, como da Concepção do sistema de coleta seletiva mostram como o Município deve lidar com os resíduos sólidos, considerando questões sociais, econômicas, ambientais, culturais e políticas.

Estes documentos deveriam estar à disposição da sociedade criciumense para construção conjunta de soluções e avanços progressivos na gestão de resíduos sólidos. O plano de resíduos concluído não pode ser mais um documento, como outros já contratados pelo poder público, elaborados em 2009, 2012 e agora 2015/2016, pagos com recursos públicos que fiquem engavetados nos arquivos para que traças comam ou "cinzas" apaguem e não ser colocado em prática.

Deve ser prioridade do futuro mandatário de Criciúma o avanço na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos com inclusão de catadores e catadoras, porém com melhorias na infraestrutura de separação e triagem, na ampliação dos programas de sensibilização, ecoformação, educação ambiental e mobilização social para eficácia na coleta seletiva no apoio incondicional as organizações de catadores existentes e no auxílio a organização de mais grupos associativistas, na geração de emprego e renda, no estímulo a valoração da fração orgânica por meio da compostagem e no estudo de outras alternativas viáveis e compatíveis a relaidade do município.

Como eleitor e cidadão criciumense por adoção, assisti ao último debate de três dos quatro candidatos. Gostaria de ter ouvido o 4º candidato também para enriquecer o debate e para que os eleitores pudessem ter clareza na definição de seu candidato.

Como cidadão criciumense por adoção, como eleitor e sempre um eterno aprendiz da na área de resíduos sólidos, que acompanha os avanços e retrocessos, históricos nos últimos 18 anos, cabe colocar e expor alguns fatos:

- A sobrevivência de um grupo restrito de catadoras e catadores que procuram se consolidar e organizar enquanto empreendimentos de economia solidária na forma de associação e cooperativa (ACRICA e CTMAR) se dá principalmente pela garra e vontade das (os) associadas (os) e cooperadas (as) e pelo apoio das entidades que fazem parte do Fórum Municipal Lixo e Cidadania.

- Desde meados de 2009 há um movimento social organizado que debate políticas públicas de inclusão social de catadores e catadoras no Fórum Municipal Lixo e Cidadania de Criciúma que chama atenção para questões referentes a gestão e gerenciamento de resíduos sólidos com implantação de coleta seletiva com soluções tecnológicas incluvisas e includentes.

No entanto o lugar ocupado pelos catadores no imaginário social é o de desvalido, sem valor, rejeitado como e com os rejeitos, marginal na economia por sustentar empresas do “mercado cinza” da reciclagem e marginalizados das mesas de discussão de planos e projetos. Apesar da importante função ecológica, ambiental e econômica por eles desempenhada o descaso, o preconceito e a violência sempre permearam a relação da população e do poder público em relação ao trabalho desempenhado por catadoras e catadores que são à base da cadeia de reciclagem em Criciúma, na AMREC, Santa Catarina e BRASIL!

Qual a diferença entre os dalits da Índia e os(as) Catadores(as) em parte do Brasil? Lá, eles, em que pese ser a última casta social, estão dentro de uma hierarquia. Os dalits, que já foram chamados de "intocáveis", constituem a casta mais baixa da sociedade indiana e lutam contra preconceito. Aqui, os(as) Catadores(as) sequer são reconhecidos pela população e pelos gestores públicos, pois para muitos eles são (IN) Visíveis.

Em meados da presente década, após anos de discussão foi sancionada a Lei 12305/2010 que estabelece regras, diretrizes e princípios para a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Nesta lei há mais alguns direitos assegurados aos catadores e catadoras. Essa norma legal orienta os gestores públicos para incluir nas políticas de resíduos sólidos municipais por meio de incentivo a formação de cooperativas e associações de Catadores e a estruturação de seus galpões e equipamentos, podendo conceder financiamentos e incentivos fiscais conforme artigos:

Art. 7º São objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
[...]
XII - integração dos Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;

Art. 8º São instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros:
[...]
IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis.

Art. 42. O Poder Público poderá instituir medidas indutoras e linhas de financiamento para atender, prioritariamente, às iniciativas de: [...]
III - implantação de infraestrutura física e aquisição de equipamentos para cooperativas ou outras formas de associação de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda.

Art. 44. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, no âmbito de suas competências, poderão instituir normas com o objetivo de conceder incentivos fiscais, financeiros ou creditícios, respeitadas as limitações da Lei Complementar n.º 101, de 4 de maio de 2000 (Lei de Responsabilidade Fiscal), a:
[...]
II - projetos relacionados à responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos, prioritariamente em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis formadas por pessoas físicas de baixa renda.

Os municípios devem dar prioridade para as cooperativas e associações de Catadores nas atividades de reaproveitamento de resíduos e da coleta seletiva. Assim, nas cidades onde há organizações de Catadores, eles têm esse direito de preferência na contratação.

As soluções tecnológicas para gerenciamento de resíduos sólidos adequadas ao contexto local, brasileiro e em especial sul catarinense podem e devem ser construídas numa composição de alternativas técnicas, mas não será apenas uma técnica que resolverá todos os problemas de resíduos.

O primeiro passo é não gerar, o segundo, evitar a mistura, separar, dispor separado para coleta seletiva de recicláveis, coleta diferenciada de orgânicos, coleta de rejeitos e deposição somente destes de forma ambientalmente correta em aterros sanitários. Outras possibilidades e soluções tecnológicas são possíveis, mas há que se verificar sempre três bases de sustentabilidade: social, ambiental e econômica.


Equipe de Comunicação Psol Criciúma.
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terça-feira, 27 de setembro de 2016

ELEIÇÕES 2016 - Nota do Psol sobre a atitude da RBS em Criciúma

Criciúma, 26 de setembro de 2016.

NOTA DO PSOL CRICIÚMA

O Grupo RBS parece desconhecer o número de candidatos que estão participando nas eleições municipais em Criciúma e para o debate que irá realizar, dia 29/09, não convidou o candidato do PSOL e representante da Frente de Esquerda, Odelondes de Souza.

Em um momento em que a situação política em nosso país está colocando a democracia em risco, com o exemplo da Operação Lava-Jato, onde um juiz apura de forma seletiva as denúncias de corrupção, onde um Poder Judiciário permite toda sorte de impunidade e um Congresso Nacional que possui quarenta parlamentares envolvidos em casos de corrupção, o papel da emissora seria o de contribuir para que o processo eleitoral em Criciúma fosse justo e democrático, apresentando as propostas para a cidade das quatro candidaturas concorrentes.

            No dia 25 de agosto, o TSE derrubou a regra de Eduardo Cunha e aprovou a participação nos debates, dos candidatos cujos partidos tenham representação menor que 10 deputados federais, o que é o caso do Psol. No entendimento do tribunal, fica a critério da emissora em convidá-los e os outros candidatos não podem excluí-los, nem influenciar nas decisões das emissoras.

Nesse sentido, registramos nossa indignação com esta emissora, que ao excluir um candidato do debate eleitoral, não pode ser considerado veículo de comunicação com concessão pública, e sim, uma empresa partidária que promove um desserviço à sociedade. Que se registre que o grupo de comunicação RBS teve a mesma postura em outras cidades no Estado de Santa Catarina, agindo de forma política e persecutória ante os partidos de esquerda no estado.

Vamos debater sim, de forma fraterna, porque estamos construindo uma campanha bonita e solidária, de forma acolhedora e humanizada. Não precisamos que as emissoras dessa estirpe tenham medo ou cancelem espaços ou deixem de convidar o candidato, porque nós propomos o diálogo com a população, com os trabalhadores e com estudantes.

Comissão Executiva Psol Criciúma
Presidente Nilton Lourenço Júnior
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ELEIÇÕES 2016 - Agenda dia 27/09/16



AGENDA #50pramudar

A partir das 07h30, Debate Rádio Difusora, com transmissão ao vivo pelo facebook no link http://migre.me/v51yq

A tarde, às 16h30, Sabatina promovida pelo SISERP no Centro de Eventos Germano Rigo

E a noite, às 19h30, o Colégio SER promove o evento Guerreiros da Paz

Criciúma merece o melhor. Não desperdice seu voto!

Apoie a mudança!

#Odelondes50
#Criciuma50
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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

DEBATE - Debate - TV Litoral Sul Canal 20

A TV Litoral promove debate com os quatro candidato a prefeitura de Criciúma, inclusive Odelondes 50.

Enquanto alguns canais de mídia escancaram sua seletividade, nós agradecemos o exercício de democracia que ainda impera em muitos outros.




Para acompanhar as atividades do partido, siga o Psol no Facebook.

Equipe de Comunicação Psol Criciúma.
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ARTIGO - A quem serve a reforma política que Eduardo Cunha tirou do baú?


Artigo publicado originalmente no jornal Folha de São Paulo e no blog do Psol Nacional.

Por Marcelo Freixo

O direito de os eleitores conhecerem e saberem o que pensam todos os candidatos a prefeito nas próximas eleições está ameaçado.

No fim do ano passado, o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, capitaneou a aprovação de uma minirreforma eleitoral antidemocrática, que eu prefiro chamar de contrarreforma, que censura a participação nos debates de rádio e televisão.
Segundo a nova legislação, as emissoras só têm obrigação de convidar para os debates candidatos com mais de nove parlamentares na Câmara. Se, por acaso, as empresas de comunicação optarem por chamar quem não se enquadra na regra, o convite terá que ser aprovado por dois terços dos demais candidatos cujas legendas atendam à determinação criada por Cunha.
O PMDB quer dar mais um golpe na democracia, prejudicando diretamente os eleitores: os debates são momentos essenciais para as pessoas conhecerem as propostas dos candidatos e decidirem de forma consciente em quem votar. Quanto maior a diversidade e o embate de ideias, melhor.
A contrarreforma de Cunha desconsidera a representatividade das candidaturas e seu desempenho nas pesquisas eleitorais. Se um candidato, por exemplo, estiver em segundo lugar nos levantamentos sobre intenção de voto, mas seu partido não atender às novas regras, sua presença nos debates não está garantida.
Na edição de 2015 do Prêmio Congresso em Foco, que avalia o desempenho parlamentar através do voto de jornalistas e internautas, dos cinco melhores deputados, quatro eram do PSOL: Jean Wyllys, Chico Alencar, Ivan Valente e Edmilson Rodrigues. A nova lei desconsidera isso: o partido tem atualmente seis parlamentares.
Entre eles Luiza Erundina, que deixou o PSB. A ex-prefeita de São Paulo, que concorrerá novamente à prefeitura e aparece em terceiro lugar nas pesquisas, além de ser uma referência para a democracia brasileira, pode ficar fora dos debates. É empobrecedor.
O mesmo vale para a Rede, partido da ex-candidata à Presidência da República Marina Silva, caso não negocie alianças. A legenda tem quatro deputados.
A contrarreforma de Cunha alimenta o que há de pior no nosso sistema político e aprofunda a crise de representatividade. Ela faz com que tempo de TV continue sendo tratado como moeda de troca no toma lá dá cá de partidos fisiológicos.
Eleitores de todo o país, independentemente de suas preferências partidárias, estão se mobilizando para exigir democracia nos debates. Milhares já assinaram a petição online democracianosdebates.com. Eles entenderam que a saída para a crise não é a censura. É mais debate, pluralidade e democracia.

Sobre o autor Marcelo Freixo





É professor de História, deputado estadual pelo PSOL do Rio de Janeiro, eleito com mais de 350 mil votos e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e atual candidato do Psol à Prefeitura do Rio de Janeiro, com boa margem na intenção dos votos.

Fonte: Psol Nacional

Equipe de Comunicação Psol Criciúma.
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domingo, 25 de setembro de 2016

ARTIGO - Boa noite, Cinderela!

Fraudes. Propinas para políticos. Manipulações. Um estudo devastador sobre o sistema financeiro revela como, por trás dos anúncios cheios de pessoas felizes, os bancos sugam a riqueza social.


Resenha do artigo:
Overcharged: the high cost of high finance
de Gerald Epstein e Juan Antonio Montecino, The Roosevelt Institute, Juho de 2016
Às vezes precisamos de um espelho. Com o grau de deformação ideológica dos argumentos quando se trata da realidade brasileira, é bom dar uma olhada como todo o debate sobre o resgate do sistema financeiro está se dando no resto do mundo. Não somos uma ilha, e muito menos o nosso sistema financeiro, ainda que aqui algumas deformações sejam muito maiores. Hoje já não podemos ignorar o sólido acervo de pesquisas, que deslancharam após a crise de 2008, e que mostram a que ponto o sistema financeiro se distanciou dos seus objetivos iniciais de financiar o investimento e o crescimento econômico. Aqui apresentamos a excelente pesquisa de Epstein e Montecino sobre o sistema americano, organizando as ideias chave, e este espelho gera um impressionante efeito de ver na imagem refletida a sombra dos nossos dramas. 

O estudo de Epstein e Montecino oferece uma visão de conjunto do impacto econômico da intermediação financeira, tal como funciona nos EUA. O sistema não só não fomenta a economia, como a drena. O título, Cobrando demais: o alto custo da alta finança, já diz tudo, e pela primeira vez temos aqui uma visão sistêmica e integrada do quanto custa à economia americana uma máquina financeira que se agigantou e se deformou radicalmente. Hoje não fomenta a economia, pelo contrário, inibe-a, gerando mais custos do que estímulo produtivo. A pesquisa faz parte de um conjunto de iniciativas do Roosevelt Institute, que tem como economista chefe Joseph Stiglitz, prêmio “Nobel” de economia, e que já foi economista chefe do governo Clinton e do Banco Mundial.

Esta pesquisa tem muita importância para nós no Brasil, pois o sistema financeiro internacional funciona aqui a pleno vapor, e a cultura da intermediação financeira não varia muito entre a City de Londres, Wall Street ou o sistema de usura que se implantou no Brasil. Hoje existe uma cultura financeira global. No nosso caso, o desajuste fica evidente quando constatamos que em 2015 o PIB recuou de 3,8%, enquanto no mesmo período o lucro declarado do Bradesco aumentou em 25,9%, e o do Itaú aumentou em 30,2%. A máquina financeira está vivendo às custas da economia real. Nosso sistema de intermediação financeira não serve a economia, dela se serve. É produtividade líquida negativa. Ajuda, e dá confiança às nossas pesquisas aqui no Brasil, esta constatação lapidar do próprio Stiglitz: “Enquanto antes as finanças constituíam um mecanismo para colocar dinheiro nas empresas, agora funcionam para extrair dinheiro delas.”i

Há pessoas que têm dificuldade em imaginar um grande banco internacional achacando os seus clientes, e imaginam que nos EUA as coisas seriam sérias, quanto mais na Europa. É preciso aqui lembrar algumas coisas óbvias. Por fraude com milhões de clientes, o Deutsche Bank foi condenado em setembro de 2016, pela justiça americana, a uma multa de 14 bilhões de dólares (uma vez e meia o orçamento anual do Bolsa Família, que tirou 50 milhões de pessoas da miséria, só para dar uma ordem de grandeza dos tamanhos das fraudes bancárias). É bom lembrar que um banco tão sério como Citigroup já foi condenado a pagar US$ 12 bilhões (fechou por US$ 7 bilhões), Goldman Sachs está pagando $ 5,06 bilhões, JPMorgan Chase&Co está pagando US$ 13 bilhões, o Bank of America US$ 16,7 bilhões. Os crimes são dos mais diversos tipos, desde fraude nas informações aos clientes até falsificações dos mais diversos tipos, depenando clientes, enganando o fisco, falsificando informações sobre taxas de juros e semelhantes.ii

Todos ouviram falar da financeirização, mas poucos se dão conta da profundidade da deformação generalizada dos processos econômicos, sociais e ambientais que resultam da migração dos nossos recursos do fomento econômico através de investimentos, para ganhos improdutivos através de aplicações financeiras. Inclusive, os bancos e a mídia chamam tudo de “investimento”, parece mais nobre do que aplicação financeira ou especulação. A revista Economist até inventou a expressão “speculative investors” e Stiglitz sente-se obrigado a se referir a “productive invesments” para diferenciar. Mas não há como escapar desta realidade simples: quando você compra papéis, eles podem render, mas você não produziu nada. E abrir uma empresa, contratar trabalhadores, produzir e pagar impostos é mais trabalhoso do que por exemplo aplicar em papéis da dívida pública. O primeiro estimula a economia, o segundo gera rendimentos sem contrapartida, e a partir de um certo nível torna-se um peso morto sobre as atividades econômicas em geral.

Voltando ao artigo de Epstein e Montecino, em termos de funcionalidade econômica os autores se referem a uma “spectacular failure”: “Um sistema financeiro saudável é aquele que canaliza recursos financeiros para investimento produtivo, ajuda as famílias a poupar para poder financiar grandes despesas tais como educação superior e aposentadorias, fornece produtos tais como seguros para ajudar a reduzir riscos, cria suficiente quantidade de liquidez útil, gere um mecanismo eficiente de pagamentos, e gera inovações financeiras para fazer todas estas coisas úteis de forma mais barata e efetiva. Todas estas funções são cruciais para uma economia de mercado estável e produtiva. Mas depois de décadas de desregulação, o sistema financeiro atual dos EUA se tornou um sistema altamente especulativo que falhou de maneira bastante espetacular em realizar estas tarefas críticas.”(1)

Do lado das alternativas, é resgatar o sistema de regulação, reestruturar o sistema para que sirva a economia e não dela se sirva apenas, e gerar sistemas alternativos de intermediação financeira para que as pessoas voltem a poder ter escolha: “Esses custos excessivos das finanças podem ser reduzidos e o setor financeiro pode de novo jogar um papel mais produtivo na sociedade. Para alcançá-lo, precisamos de três enfoques complementares: melhorar a regulação financeira, aproveitando o que a [lei] Dodd-Frank já conseguiu; uma reestruturação do sistema financeiro para que sirva melhor as necessidades das nossas comunidades, pequenos negócios, famílias, e entidades públicas; e alternativas financeira públicas, tais como bancos cooperativos e bancos especializados, para equilibrar o jogo.” (3)

Como foi se deformando o sistema financeiro, que atualmente impõe enormes custos para a economia real, obrigada a sustentar uma imensa superestrutura especulativa? “Mostramos como a indústria de gestão de recursos (assets) cobra taxas excessivas e traz retornos medíocres para as famílias que buscam poupar para a aposentadoria; como empresas privadas de gestão de ações se apropriam de níveis excessivos de pagamentos dos fundos de pensão e outros investidores enquanto frequentemente penalizam os salários e oportunidades de emprego dos trabalhadores nas empresas que compram; como os fundos especulativos (hedge funds) apresentam mau desempenho; e como emprestadores predatórios exploram algumas das pessoas mais vulneráveis da nossa sociedade. Olhando desta maneira desde abaixo, podemos ver de forma mais clara como os níveis de excessos de cobrança (overcharging) que identificamos no nível macro se organizam de maneira prática.” (3)

O resultado prático é que os trilhões de dólares captados pelo sistema de intermediação financeira e os diversos fundos representam em termos líquidos um dreno para a economia americana. Este sistema, como no Brasil, representa uma produtividade negativa, e gera ganhos líquidos sem contrapartida produtiva correspondente: “Assim, as finanças têm operado nestes últimos anos um jogo de soma negativa. Isto significa que nos custa mais do que um dólar transferir um dólar de riqueza para os financistas – significativamente mais. Por isso, mesmo que você pense que os nossos financistas merecem cada centavo que conseguem, sairia muito mais barato simplesmente enviar-lhes um cheque todo ano do que deixá-los continuar a tocar os negócios como sempre.”(4)

Bancos pequenos e médios nos EUA continuaram a desempenhar as suas atividades de commercial 
banking, mas dez gigantes passaram a dominar o sistema financeiro, concentrando-se em outros produtos, essencialmente especulativos. Este grupo dominante, segundo a pesquisa, concentrou-se “em novos produtos e práticas ligadas à crise financeira – inclusive securitização, derivativos e comércio proprietário (proprietary trading), tudo financiado por empréstimos de muito curto prazo.”(10) A oligopolização é aqui central, apoiada não só na não-transparência dos produtos, como no seu poder político de obter subsídios (o que, no Brasil, a taxa Selic elevada). Trata-se “do poder monopolístico ou oligopolístico que as instituições financeiras podiam exercer por meio de produtos financeiros não transparentes, bem como da facilidade de acesso a volumes maciços de capital por causa dos subsídios devidos à sua condição de ‘grandes demais para quebrar’”.(19)

Segundo os autores, os numerosos bancos menores nos EUA terminam sendo tributários destes gigantes: “Os grandes bancos de Wall Street estão no epicentro do sistema financeiro. Como resultado, praticamente todos os aspectos dominantes das finanças que discutimos até aqui – hedge funds, ativos privados, créditos predatórios, mercado hipotecário e o chamado sistema de ‘bancos das sombras’ (shadow banking) – todos estão ligados até certo ponto com os grandes ‘core banks’.” Por sua vez, estes grandes bancos passam a exercer um poder político que torna qualquer reforma pouco viável: “No caso da reforma financeira, o poder que o setor financeiro exerce sobre o processo político tem sido uma força com a qual é difícil lidar.”(41)

Esta pirâmide de poder, tanto sobre o conjunto do sistema financeiro, envolvendo até os pequenos bancos comerciais locais ou regionais, como sobre o processo decisório político que deveria permitir a regulação, permitiu a estruturação de uma máquina que extrai recursos da economia de maneira desproporcional relativamente ao seu aporte produtivo. “Precisamos enfatizar o fato que na nossa análise, estamos estimando os custos líquidos (ênfase dos autores) do nosso sistema financeiro: os custos que ultrapassam de longe o que um sistema financeiro eficiente deveria custar à sociedade. As rentas financeiras medem quanto a mais os clientes e pessoas que pagam impostos têm de pagar aos banqueiros para ter direito aos serviços (benefícios) que recebem. Os custos de má alocação medem os custos de termos um crescimento econômico menor do que teríamos se as finanças tivessem uma dimensão otimizada e funcionassem de maneira eficiente. Estes custos são líquidos no sentido de que o cálculo reconhece que o sistema financeiro cria benefícios significativos, mas que estes benefícios seriam maiores se o sistema operasse em escala correta e de maneira correta. Finalmente, os custos da crise financeira constituem um custo líquido no sentido de que medem quanta produção foi perdida relativamente ao que seria possível se não tivéssemos tido a crise financeira.”(14)

O conceito de custo líquido do sistema financeiro é muito útil, pois envolve diretamente a questão da produtividade sistêmica das finanças de um país. Para o Brasil, considerando os custos da crise 2015/2016, da qual o sistema financeiro foi a causa principal, podemos igualmente calcular o custo sistêmico. No caso americano, os autores consideram que “precisamos incorporar os custos das crises financeiras associadas com a especulação excessiva e as atividades econômicas destrutivas que são agora bem compreendidas, no sentido de terem sido chave na crise econômica recente.” (16) A diferença é que nos EUA se reconhece as raízes da crise financeira de 2008, enquanto aqui se atribui a crise ao ridículo déficit fiscal, de menos de 2% do PIB. O rombo na realidade é criado pelo nível surrealista de juros sobre a dívida pública, a taxa Selic, que só no ano de 2015 significou uma transferência de 501 bilhões de reais, 9% do PIB, dos nossos impostos para os grupos financeiros.iii

O conceito de renta financeira (financial rent) é importante, e o próprio conceito de “renta”, diferente de renda, tem de ser introduzido nas nossas análises no Brasil. O fato é que a “renta” como forma de acesso aos recursos sem a contribuição produtiva correspondente ajuda a entender o processo (no Brasil, curiosamente, utilizamos a expressão “rentismo” mas não existe ainda o conceito de “renta”). Em inglês se distingue claramente o mecanismo produtivo que gera a renda (income) e a aplicação financeira que gera “renta” (rent). Em francês é igualmente clara a diferença de “revenu” e “rente”, respectivamente. Não há como entender por exemplo os trabalhos do Piketty sem esta distinção. Segundo os autores, “no caso das finanças modernas, as rentas vêm em duas formas básicas: uma é o pagamento excessivo feito aos banqueiros – top traders, CEOs, engenheiros financeiros e outros empregados de bancos e outras instituições financeiras com altas remunerações; a outra forma são os lucros excessivos, ou retornos muito acima dos retornos de longo prazo que são distribuídos aos acionistas como resultado dos serviços financeiros providenciados por uma empresa.” Os ganhos financeiros deste tipo agigantam-se a partir dos anos 1990. (17, 19)

Os custos destas atividades rentistas que travam as atividades econômicas em vez de promovê-las, têm de ser suportados pela sociedade: “O custo das finanças para a sociedade não é apenas o resultado de transferências de renda e riqueza da sociedade como um todo para as finanças; há custos adicionais se a mesma finança mina a saúde da economia para as famílias e os trabalhadores.”(22) Uma citação interessante trazida pelos autores é a de James Tobin, já em 1984: “Estamos jogando um volume cada vez maior dos nossos recursos, inclusive a nata da nossa juventude, em atividades financeiras distantes da produção de bens e serviços, em atividades que geram retornos privados elevados sem proporção com a sua produtividade social.”

Tobin foi um dos primeiros a constatar esta deformação sistêmica da intermediação financeira.(23) Tenho encontrado esta citação em outros textos, pois é muito relevante, inclusive pelo uso do conceito de “produtividade social”, ou seja, utilidade para a economia e a sociedade em geral, e não apenas para o banco ou outro grupo que desempenha uma atividade. O conceito de SROI – Social Return on Investment – começa também a ser utilizado mais amplamente. No nível pessoal, inclusive, muitos profissionais começam a se perguntar se, independentemente de quanto ganham, a atividade que desempenham é socialmente útil. E quando é claramente nociva, surgem as contradições e as crises existenciais, como estudado por exemplo no excelente Swimming with Sharks, de Luyendijk, focando os altos funcionários da City de Londres.iv Não são aqui divagações filosóficas, as pessoas querem cada vez mais que os seus esforços façam sentido.

A realidade é que o desvio dos recursos das atividades produtivas para ganhos especulativos trava o conjunto da economia, mas a indignação fica restrita pela simples razão que o sistema é extremamente opaco. Os autores aqui são conscientes desta dificuldade, e aproveitam para mostrar que diversas pesquisas sobre os sistemas financeiros convergem pra as mesmas conclusões: “Os sistemas financeiros privados de maiores dimensões podem ser associados com ‘finanças especulativas’, trading em maior escala, e um setor pouco associado ao fornecimento de crédito à ‘economia real’. Como argumenta Stiglitz, estes sistemas financeiros podem se orientar para a extração de recursos da economia real, e não para colocar mais recursos na economia real (ver também Mason, 2015). Este tipo de sistema financeiro pode muito bem se orientar para investimentos de curto prazo (Haldane, 2011) e empregar o que William Lazonick chama de estratégia de “desinvestir e distribuir” em vez de “reter e reinvestir”, o que significa que mais recursos são extraídos das empresas não-financeiras. Esta orientação deve também reduzir o crescimento da produtividade e o investimento, e em consequência o crescimento econômico.”(23)

O texto de Mason mencionado, também excelente leitura, constata que “as finanças já não são um instrumento para colocar dinheiro em empresas produtivas, mas em vez disto para delas tirar dinheiro.”(3) Segundo o autor, nos anos 1960 e 1970 cada dólar de ganhos e crédito suplementares levava a um aumento de investimentos da ordem de 40 cents. Desde os anos 1980 leva a um aumento de apenas 10 cents. É uma mudança radical em termos de produtividade das aplicações financeiras. Segundo Mason, “isto resulta de mudanças legais, administrativas e estruturais que são a consequência da revolução dos detentores de ações nos anos 1980. No modelo administrativo anterior, mais dinheiro que entra numa empresa – por vendas ou por crédito – tipicamente significava mais dinheiro colocado em investimento fixo. No novo modelo dominado pelo rentismo, mais dinheiro que entra significa mais dinheiro saindo para as mãos de detentores de ações sob forma de dividendos e recompra de ações.”(Mason,1)v Como os dividendos são pouco taxados pelo sistema tributário – o que foi conseguido pela capacidade de pressão política – o círculo da financeirização e da riqueza não produtiva se fecha.

O novo sistema de intermediação financeira gerou também uma massa de advogados, conselheiros, contadores, gestores de fundos e semelhantes, todos ávidos maximizar os retornos e os bônus correspondentes. “Os serviços de gestão de riqueza cresceram de um universo de 51 empresas administrando US$ 4 bilhões, em 1940, para mais de US$63 trilhões em riqueza (assets) com mais de 11 mil consultores e quase 10 mil fundos mútuos registrados com o SEC em 2014”. (41) Para efeitos de comparação, lembremos que o PIB mundial de 2014 é da ordem de US$ 75 trilhões. Esta massa de profissionais gerou por sua vez um cluster importante de poder, com forte influência, em particular, no conjunto da comunicação financeira na grande mídia, que apresenta quase que exclusivamente a visão dos interesses dos grandes grupos financeiros.

No nosso caso brasileiro não dispomos de estudos correspondentes sobre a estrutura de intermediação e de poder político que estes interesses geram, capaz de atropelar qualquer tentativa de reduzir os seus lucros. Mas é evidente que quando o governo Dilma tentou reduzir os juros absurdos (tanto sobre a dívida pública como para pessoas jurídicas e pessoas físicas) em 2013, partiram para a guerra total. O fato é que o mundo financeiro e os rentistas reagiram em bloco, movimento por sua vez aproveitado por diversas esferas de oportunismo político. O paralelo com os Estados Unidos é neste sentido interessante, quando se viu os imensos recursos públicos que o governo transferiu para os bancos a partir de 2008. Não é só aqui que o sistema financeiro se tornou a força política maior.
Como foi que chegamos a este nível de deformação do sistema financeiro, que já foi tão essencial para os processos produtivos e hoje os trava? Os autores identificam cinco mecanismos: “Como no caso da maior parte das finanças, as chaves para rentas excessivas obtidas pelas empresas financeiras e traders são: 1) a opacidade, frequentemente criada de maneira deliberada, por meio de excesso de complexidade, falta de transparência (disclosure), ou mais diretamente informação enganosa que é facilitada pelo frágil marco regulatório; 2) elevada concentração do mercado dentro de linhas específicas de negócios levando a que haja pouco competição; 3) subsídios governamentais de vários tipos, inclusive resgates (bailouts), impostos subsidiados, facilidade nas regras contábeis, e vantagens legais criadas por arranjos legislativos, administrativos ou legais; 4) retirada de provisões públicas que geram um mercado aberto para as finanças e torna a população vulnerável a todos esses canais com excessos de renda e de retornos; 5) regulamentação fiduciária fraca que permite que floresçam conflitos de interesses.”(35)

A parte de baixo da sociedade é a que sustenta o maior choque desta reorganização:
“As famílias recebem informações falsas e caras por parte de conselheiros que têm um incentivo para enganar (mislead) e que podem fazê-lo graças a um ambiente legal e regulatório permissivo.” (36) Isto por sua vez gera o aprofundamento das desigualdades: “Práticas e rendimentos financeiros têm contribuído muito para a desigualdade de renda e de riqueza nos EUA nas recentes décadas. Além disso, algumas práticas financeiras contribuem para a criação e manutenção da pobreza. Em nenhum lugar estas conexões entre finanças, desigualdade e pobreza são mais aparentes do que na provisão de serviços bancários para os pobres e para famílias em dificuldades financeiras.”(40) Aqui, o paralelo com os juros extorsivos nos crediários e nos bancos no Brasil é evidente, sendo que no nosso caso, com juros de três dígitos, as distorções são simplesmente muito mais escandalosas.

Para os autores, a necessidade de uma profunda reorganização do sistema financeiro torna-se óbvia: “De forma geral, para enfrentar as questões aqui levantadas, referentes aos enormes custos do nosso sistema financeiro corrente, precisamos de três abordagens complementares: regulação financeira, reconstrução financeira, e alternativas financeiras…Para atingir estes objetivos, precisaremos provavelmente de uma nova lei Glass-Steagall para eliminar a rede de segurança social de que gozam as atividades financeiras altamente especulativas, limites mais estritos quanto à alavancagem e tamanho dos bancos de forma a dividir (break up) as instituições financeiras maiores e mais perigosas, e uma regulação mais rigorosa para limitar quanto se paga por estas atividades de alto risco.”(43/43)

E temos a consequente reformulação dos objetivos do sistema financeiro, para que volte a ser útil (e não mais prejudicial) para a economia e para a sociedade: “Nosso sistema financeiro precisa ser reestruturado de forma que sirva melhor as necessidades das nossas comunidades, pequenos negócios, famílias, e entidades públicas, tais como municípios e estados. Eliminar os subsídios dos bancos ‘grandes demais para quebrar’ ajudará a abrir espaço para instituições financeiras menores e mais orientadas para as necessidades das comunidades; no entanto, é pouco provável que isto permita gerar um número suficiente de instituições financeiras para apoiar as necessidades das nossas comunidades. Como resultado, é provável que necessitemos de um número maior de alternativas financeiras: bancos públicos, bancos cooperativos, e bancos especializados tais como os green banks e bancos para infraestruturas”.(43)

Os avanços deste tipo de pesquisas nos Estados Unidos reforçam a necessidade de procedermos ao estudo do fluxo financeiro integrado no Brasil, buscando o resgate da função econômica da intermediação financeira nas suas diversas dimensões.

i Stiglitz, Rewriting the Rules of the American Economy, pode ser encontrado na íntegra em http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2015/06/report-stiglitz.pdf

ii O Guardian de 16 de setembro de 2016 traz um pequeno resumo, veja aqui ; no Financial Times é assunto cotidiano, como por exemplo é o caso de manipulações atingindo 2 milhões de clientes por parte do banco Wells Fargo, noticiado na edição de 20/09/2016 do FT e reproduzido no Guardian da mesma data.

iii Ver o nosso estudo correspondente do sistema financeiro no Brasil, em Resgatando o potencial financeiro do país: http://dowbor.org/2016/08/ladislau-dowbor-resgatando-o-potencial-financeiro-do-pais-versao-atualizada-em-04082016-agosto-2016-47p.html/

iv Joris Luyendijk – Swimming with sharks – Guardian Books, London, 2015 http://www.theguardian.com/business/2015/sep/30/how-the-banks-ignored-lessons-of-crash

v J.W. Mason –Disgorge the Cash – Roosevelt Institute, 2015 – http://rooseveltinstitute.org/wp-content/uploads/2015/09/Disgorge-the-Cash.pdf

Fonte: Blog Outras Palavras

Equipe de Comunicação Psol Criciúma. 

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sábado, 24 de setembro de 2016

OPINIÃO - Parcialidade do Judiciário não significa anistiar corruptos




Por Thiago Minervino

Li esta semana em um blog desses ligados mais à esquerda, uma matéria assinada pelo jornalista Breno Altman do Opera Mundi, em defesa do projeto de lei estapafúrdio da Câmara dos Deputados que pôs em votação à surdina, na calada da noite, na última segunda-feira 18, que pretendia anistiar todos os políticos que porventura tenham sido beneficiados com doações ilegais para financiar suas respectivas campanhas eleitorais.

No texto, Altmann condena apenas os métodos “adotados por certas lideranças da Casa” que “à sorrelfa e à socapa” resolveram votar essa ” questão de tal relevância”. O jornalista alicerça seu texto na parcialidade do Ministério Público Federal e do Judiciário que tende a criminalizar unicamente um partido, no caso, o PT.

Compreender esse assunto sob esse ponto de vista, é a mesma coisa que concordar com a épica afirmação de Maquiável, de que os fins justificam os meios. Entretanto, parece óbvio que uma coisa não justifica a outra.  Se o MP e o Judiciário agem de maneira parcial, cabe à população ser mais incisiva. Agora perdoar político ladrão, independentemente do partido, é outra história.

Parece óbvio para qualquer um que doação ilegal, quando o Tribunal Superior Eleitoral não tem conhecimento, é um indício claro de que, se eleito, haverá um beneficiamento ilegal do doador por parte do órgão público. Se paira sobre alguém a desconfiança, os recentes casos de corrupção deflagrados mostram que não houve, até o momento, nenhuma exceção.

O Brasil é reconhecido internacionalmente como um país que serve apenas aos desígnios da elite e de quem, de certa forma, detém o poder. Foi assim com os militares que deram o golpe de Estado em 1964 e depuseram o presidente João Goulart.

Mesmo com crimes perpetrados contra o Estado que massacraram a Constituição Federal, os militares foram perdoados por seus crimes que culminaram na morte de centenas de pessoas, outros tantos feridos e desaparecidos, sem que ao menos um dos criminosos tenha sofrido qualquer penalidade. Ao contrário, foram ANISTIADOS e ainda homenageados com nomes em escolas e logradouros.

Calados, e à espera de um ato de coragem – se é que podemos chamar assim – nenhum dos deputados sequer tiveram a cara de pau de defender à medida que, graças à ação do PSOL  e da Rede, não foi votada.

A verdade é que os congressistas estão receosos com os desdobramentos da Lava Jato e, principalmente, com uma eventual delação da Odebrecht (principal empresa envolvida nos esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro da Petrobrás) que já está em negociação com a força tarefa da Lava Jato, e, se consumada, cairá como uma bomba em Brasília. Em março desse ano, uma lista com o nome de 200 políticos e seus apelidos, entre eles o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Aécio Neves (PSDB-MG), Lindberg Farias (PT-RJ), o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), entre tantos outros, vazou na imprensa.

Essa foi a segunda vez que o Congresso Nacional agiu para se safar da justiça. Conforme áudios divulgados pela Folha de S. Paulo, caciques do PMDB (o presidente do Senado Renan Calheiros, o principal articulador do governo de Michel Temer na época, Romero Jucá e o ex-presidente da República José Sarney) tentaram agir para “estancar a sangria da Lava Jato”. Para tanto, a saída de Dilma Rousseff da Presidência seria decisiva.

Fonte: Blog Contextualizando

Equipe de Comunicação Psol Criciúma.
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ELEIÇÕES 2016 - Debate - Portal Sul In Foco

Confira o debate entre os candidatos a prefeitura de Criciúma.



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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

ELEIÇÕES 2016 - Entrevista Odelondes à Rádio Som Maior



Odelondes de Souza (PSOL) foi o entrevistado de ontem na segunda rodada de entrevistas individuais com os candidatos a prefeito de Criciúma na rádio Som Maior. A série de entrevista encerra hoje, no programa Adelor Lessa, a partir das 7h30min. A ordem foi definida por sorteio.

"Eu governo com o povo e para a sociedade." 
 Imagem: Suelen Bongiolo


Por Renam Medeiros

Adelor Lessa: Estamos na reta final da campanha, Odelondes. Foi uma eleição diferente, curta, com várias circunstâncias. Qual a tua leitura dessa campanha? No que ela está sendo diferente?

Odelondes de Souza: Lessa, antes de responder a essa pergunta, permita-me falar sobre o Dia da Paz. Hoje é Dia da Paz, dia em que todo mundo deve celebrar, todos os povos, os que se empenham pela afirmação de sua soberania e seus direitos e clamam pela paz, liberdade e justiça. Então, paz ao nosso povo. Paz a todos os povos. O que diferencia essa campanha, em particular, primeiro é o tempo. E a maturidade. Nós adquirimos mais maturidade. Fomos candidatos em 2008, 2012 e 2016. Nós aprendemos um pouco mais sobre Criciúma e sabemos, de fato, Lessa, o que Criciúma precisa. Nós diagnosticamos todas as suas necessidades, seus gargalos e sabemos que Criciúma precisa mudar de rumo. Criciúma precisa mudar a sua forma de gestão, precisa mudar a sua forma de arrecadar recursos para investir aqui. Nós aprendemos que o retorno dos impostos para Criciúma é pífio, é pequeno. Temos que lutar por retorno dos recursos federais, estaduais para Criciúma. O que modifica é isso. A gente está mais madura, vê Criciúma de outro jeito. E o tempo. O que nos diferencia, também, é que ficamos só com 17 segundos na TV. É um tempo que não dá para a gente explicar para a população o que a gente pensa. Eu pediria para a população nos pesquisar nas redes sociais e nos perguntar, realmente, nos indagar sobre o nosso projeto. É possível que isso melhore a nossa campanha por conta dessa possibilidade.

Lessa: Odelondes, o senhor foi candidato em 2008 e 2012. Desde 2008, como candidato, político e cidadão, no que a cidade progrediu e no que andou para trás?

Odelondes de Souza: Lessa, ela progrediu pouco. Na sua particularidade, os empresários se modernizaram, outros reinvestiram, mas o Poder Público não teve a capacidade de colocar Criciúma em outro patamar. A saúde, por exemplo. Nós temos aí a UPA, com 2,6 mil metros quadrados de construção. Ontem eu medi passo a passo. A UPA não está funcionando. Nós temos hospital supercarregado. Isso é de vida que a gente está falando. Nós temos o Hospital Santa Catarina, nós temos o transporte coletivo, nós temos uma ciclovia sugerida por mim em 2008 e nada foi feito. Nós temos a revitalização da Santos Dumont, por exemplo, onde os empresários mudaram os aspectos das empresas, deixaram elas bonitas. Você anda por aquela rua e vê as empresas modernizadas, com vidros, muito bacana. Ontem eu estive lá. Mas a rua está quase do mesmo jeito. Você vê que teve coisas que não avançaram. Nós precisamos criar alternativas para a educação. Criar alternativas maiores para fazer a escola continuada, a escola integral, educação integral. Nós precisamos dar um passo à frente e foram dados muitos passos atrás, ou foi estagnado, ficou no mesmo lugar. Eu percebi, de 2008 para cá, nosso diagnóstico social que não é bonito, não é bacana. Nós precisamos melhorar muito.

Renan Medeiros: O senhor comentou que pretende aumentar os repasses estaduais e federais para Criciúma. Como fazer isso?

Odelondes de Souza: Renan, nós sempre tivemos grandes recursos engavetados nos ministérios. Sempre. Se você abrir os ministérios, nós temos recursos no Ministério da Saúde, o Fundeb, mesmo, da educação, nós temos recursos para transporte coletivo, nós temos recurso para conserto de creche, nós temos vários recursos lá colocados também no Estado. O que cabe a nós é mobilizar a política e os políticos daqui que foram incompetentes até agora. Foram incompetentes porque já eram para ter colocado na LDO deste ano para ser eleito o hospital regional. Passou na audiência pública aqui em Criciúma. E tem vários recursos estaduais e federais que a gente pode buscar para obras. O dinheiro bom da arrecadação é impossível colocar em obras aqui porque não tem recurso. Ele complementa, por exemplo, 33% na saúde, ele complementa uma parte da educação. Então não tem como colocar o recurso da arrecadação daqui em obras pesadas, como o anel viário, como o binário, como duplicação de avenidas, revitalizações grandes. Nós precisamos ir atrás de recursos. É possível. E também é possível fazer um mandato enxuto. Nós precisamos enxugar um pouco a máquina. Não colocando trabalhadores para a rua. É, por exemplo, diminuindo os R$ 13 milhões que pagamos para enterrar nossos resíduos sólidos, por ano. Precisamos reverter isso. No nosso mandato nós vamos criar duas cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos inorgânicos e duas usinas de compostagem de resíduos orgânicos, no primeiro ano. Por quê? Porque esses R$ 13 milhões nós podemos colocar nessa construção que é fácil de resolver, criando 600 empregos e colocando um pouco desse recurso para lá, para as cooperativas. Com logística, carros, caminhões para carregar, com um trabalho de usina de compostagem que é simples e, também, para a educação, para a conscientização da população em fazer a limpeza do seu lixo, dos seus resíduos, para jogar nessa cooperativa. Nós temos que fazer ações imediatas. Pequenas ações que vão, no fim, dar um resultado positivo nas finanças, no crescimento da cidade e na visão de uma cidade sustentável. Nós temos muitas formas de pegar esses recursos, pode ter certeza. Eu conheço essa área. Eu vou cavar em todos os lugares do Estado e da Federação para buscar recursos.

Lessa: Hospital Infantil Santa Catarina, Odelondes. A alternativa tentada pelo atual governo, com contrato com o Isev para gestão do hospital, não deu certo. Porque faltou dinheiro da Prefeitura para pagar ponto e porque teve problemas com o instituo na gestão do hospital. Pelo que está anunciado, está sendo rescindido, está sendo rompido o contrato. No entendimento do PSOL, qual a melhor alternativa para a gestão do hospital?

Odelondes de Souza: Pelo município. O Município tem que abraçar, parar de terceirizar e pagar muito mais caro. Se você paga para o ISEV um valor ‘x’, é evidente que está lá o lucro dele e estão lá outros valores que a prefeitura não teria incorporado. A Prefeitura tem que abraçar isso com dinheiro estadual, claro. Na verdade, ele é administrado pela Prefeitura, mas com recurso estadual. Temos que entender isso. Precisamos tornar aquele hospital público e trazer, não só a pediatria, mas temos que tirar do Hospital São José imediatamente, até construir o hospital público regional, as senhoras e as mulheres que ganham neném. Estou falando uma linguagem bem popular, a geriatria. Nós temos de 25 a 30 leitos para desafogar o Hospital São José e colocar no Santa Catarina para que as mães, ao ganhar os bebês, já fiquem ali com todas as condições, com pediatria, com acompanhamento, com pré-natal. Nós precisamos otimizar o Hospital Santa Catarina e o Município tem capacidade técnica para fazer a gestão disso. Nós vamos, também, otimizar. Precisamos ter capacidade e eficácia, porque senão a coisa não acontece.

Lessa: A campanha deste ano está sendo marcada por ser pobre de conteúdo, frágil de conteúdo. Não há discussões muito fortes sobre conteúdo. O senhor acha que isso acontece por causa da judicialização? Isso prejudicou o conteúdo da campanha?

Odelondes de Souza: Prejudicou, Lessa, é uma grande pergunta. Prejudicou. Tem candidato pisando em ovos por aí. Tem candidato que não identifica nem o seu partido, não identifica o seu número. Nós não. Nós temos orgulho em dizer quem somos. Nós tentamos enriquecer, fazer propositivo o debate. Ficou um debate pisando em ovos, porque ninguém quer dizer a verdade. Fica uma coisa complicada. Empobreceu e a cidade não precisa disso. Eu penso que nós precisamos fazer debates propositivos, colocar grandes questões. Nós do PSOL estamos tentando isso, colocar todas as questões bem aprofundadas, mesmo as questões políticas. E eu acho que a possibilidade desse candidato ser cassado ou não ser fica uma coisa que para nós do PSOL é muito clara. Quem dá estabilidade jurídica é o Poder Judiciário. É ele que tem que determinar, ele que tem que dar essa estabilidade. A instabilidade é feita pelos próprios candidatos, que ficam querendo disputar a política na Justiça. Eu acho que a Justiça deveria determinar, ela está lá para isso, porque se nós dois aqui nos digladiarmos, quem tem que estar ao nosso meio é o Estado, são os nossos magistrados. Eles que têm responsabilidade de não deixar esse estado político e jurídico em Criciúma. Deixou um pouco de ser aquela política de falar mesmo, de projeto, de avançar e ficou meio que pisando em ovos. E tem candidato aí querendo só o voto. Ficou muito eleitoreiro. Candidato muito ‘paz e amor’. Não é só isso. Nós precisamos de paz, de amor, de fraternidade, mas precisamos dizer o que é preciso fazer e dizer aos candidatos que eles estão errados. Tem candidato procurando só os seus votinhos aí. Isso é muito feito e muito ruim.

Renan: O PSOL tem apenas um candidato a vereador e o PCB tem só uma candidata a vereadora. Como seria administrar tendo, na melhor das hipóteses, dois vereadores na Câmara?

Odelondes de Souza: Renan, você me colocou uma pergunta que, para mim, é com muita tranquilidade. Como eu te disse, a Prefeitura de Criciúma é governada pelos servidores públicos. Na Câmara de Vereadores é feita a legislação e a fiscalização. Eu governo com povo, com os conselhos, para a sociedade de Criciúma. Se um vereador tentar acabar com um projeto popular da Prefeitura, do Odelondes, do PCB ou do PSOL na Câmara, eu faço três ou quatro rodas de mãos dadas naquela prefeitura e eu loto a Câmara e a praça pública para dizer qual vereador que votou contra o projeto popular. Não estou tirando o direito do vereador se manifestar, mas eu jamais admitirei que o vereador ‘x’ ou ‘y’, em nome da governabilidade, eu ficar pisando em ovos com ele, porque ele está fazendo um papel público. Ele vai ter que fazer papel público, custe o que custar.

Lessa: Está melhor fazer campanha neste ano do que em 2012 e 2008? As pessoas estão mais interessadas?

Odelondes de Souza: Todos os dias, eu tenho orgulho de ver as pessoas dizerem ‘meu voto é seu, você está no caminho certo’, mas tem muita gente odiando a política. E isso me abre a possibilidade de dizer: você é corresponsável pelo que está acontecendo em Criciúma. Você tem que vir para a política, tem que decidir o seu voto, tem que votar certo, para que Criciúma entre no rumo. Porque as pessoas, Lessa, ao se ausentarem da política, desse processo, jogando nós todos na vala comum, é muito ruim para a política. Nós não podemos dizer que todos os empresários são mau caráter. Não podemos dizer que todos os políticos são mau caráter. Precisamos separar o joio do trigo. Precisamos dizer e tomar posição mais clara na política. Está muito difícil fazer política porque as pessoas estão odiando. Em nome dessa corrupção, de maus tratos ao povo e de má governabilidade, jogam todo mundo na mesma vala. Isso tem dificultado, preocupa. Porque as pessoas têm que dar um passo à frente. Têm que se conscientizar de que a política é importante para uma nação. É necessário que a pessoa participe, tome posição, vote. Não deixe de votar. Tome posição com relação aos partidos, aos candidatos, isso é muito importante. E que nos aceite. Eu estou visitando casa a casa, pedindo permissão para entrar nas casas e nos comércios para colocar a nossa proposta. Isso tem que ser recíproco.

Lessa: Odelondes, os problemas da cidade estão aí. Desde as calçadas detonadas, esburacadas e as pessoas correndo risco de tombar aqui e ali. Até o problema do Hospital Infantil Santa Catarina. Como enfrentar esses problemas com o caixa furado da Prefeitura, que fecha este ano com um déficit de, mais ou menos, R$ 50 milhões? De onde buscar dinheiro?

Odelondes de Souza: Eu vou ter oportunidade de responder agora algo que não respondi ao Renan. Aqui em Criciúma, temos um quadro de fiscais pequeno. Temos que criar condição para que o quadro de fiscalização vá para a rua e, primeiramente, fiscalizar bancos. Precisamos cobrar impostos progressivos, de quem tem mais. Tem muita gente pagando, em condomínio fechado, nas mansões, imposto rural. Porque a característica do imóvel é na zona rural. Nós temos que torná-lo urbano, cobrar IPTU. Isso representa R$ 400 mil a R$ 500 mil. Isso que a gente ainda não viu todos os aspectos. Nós precisamos cobrar, mas otimizar os recursos, economizar dos R$ 13 milhões dos resíduos sólidos, parar com as terceirizações que levam muitos recursos para fora, e ir atrás de recursos bons, de cobrança de ISS, por exemplo. Os bancos têm que pagar imposto para Criciúma. Há pouco tempo foi feito um contrato com uma empresa com possibilidade de arrecadação. Nós não. Vamos pegar nosso próprio corpo fiscal, para fiscalizar e cobrar esse imposto para a prefeitura. Imposto bom, garantido, para não ter dúvida, depois, de ter que pagar como precatório para essas empresas se eles ganharem na Justiça a ação de que o imposto não deveria ser cobrado, por exemplo, como nesse caso da empresa que a Prefeitura contratou há pouco. É ir atrás de recurso, diminuir o custo da Prefeitura do ponto de vista da otimização e investir. E fazer parceria com as empresas. Por exemplo, calçada é o morador que tem que fazer. Basta você solicitar e dar prazo para ele arrumar a calçada dos seus imóveis. As calçadas estão estragadas não por conta da Prefeitura, mas tem que fazer a parceria numa boa com o morador, com o dono do comércio, para que ele arrume a calçada num prazo, com padrão específico para a cidade e para aquela região. Eu acho que dá para fazer. O que nós precisamos é trabalhar, fazer plenária, fazer audiência pública, convocar o povo, convocar a sociedade para ajudar a administrar. Só deixar com a Prefeitura para que ela faça tudo, não é possível. Por isso que apostamos em conselhos populares, conselhos públicos que sejam deliberativos e representativos.

Renan: Odelondes, o senhor já tem em mente quem seriam as pessoas que ocupariam os cargos do primeiro escalão?

Odelondes de Souza: Tenho sim, até porque não vamos precisar de muita gente. O servidor público de carreira já vai subir nos seus cargos para administrar os seus setores.

Renan: Quem são as pessoas?

Odelondes de Souza: Por exemplo, nós temos o Tiago, o Daniel Russo, o Júnior, o Darlan na educação, e outros técnicos. Não necessariamente seriam do partido. Porque essa história, essa cultura, de levar gente do partido debaixo do braço, isso não serve para mim. Eu posso levar técnico de fora. E conheço muita gente aqui que poderia vir para a Prefeitura para trabalhar como técnico na área financeira, na área técnica de qualquer outro setor. Mas vou dar prioridade ao servidor público que está lá dentro, que conhece a área. Tem doutor em algumas áreas que podem fazer um papel fundamental para a sociedade de Criciúma.



Fonte: Rádio Som Maior e Jornal A Tribuna.


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domingo, 18 de setembro de 2016

URBANIDADES - O que é especulação imobiliária?





Este é um termo muito utilizado em praticamente todas as considerações sobre os problemas das cidades atualmente. No entanto, são muitas as pessoas que não conseguem definir com clareza o que seja especulação imobiliária. Na maioria dos casos, elas associam o termo à construção de prédios em altura e, mais especificamente, a uma intensa ocupação do solo urbano. Mas será que é isso que significa especulação imobiliária?

Campos Filho (2001, p. 48) define especulação imobiliária, em termos gerais, como
[…] uma forma pela qual os proprietários de terra recebem uma renda transferida dos outros setores produtivos da economia, especialmente através de investimentos públicos na infra-estrutura e serviços urbanos[…].
A especulação imobiliária, portanto, caracteriza-se pela distribuição coletiva dos custos de melhoria das localizações, ao mesmo tempo em que há uma apropriação privada dos lucros provenientes dessas melhorias.

A forma básica da especulação


Mas o que isso quer dizer? Como é possível “melhorar” uma localização se ela não pode ser mudada? Afinal de contas, um terreno é um bem imóvel. Essas melhorias que acabam valorizando os terrenos podem dar-se de muitas formas; as mais comuns referem-se à provisão de infra-estrutura (água, esgoto, energia), serviços urbanos (creches, escolas, grandes equipamentos urbanos) e às melhorias realizadas nas condições de acessibilidade (abertura de vias, pavimentação, sistema de transporte, etc.).


 Esquema básico de funcionamento da especulação imobiliária. Elaboração: Renato Saboya.
 
Tais melhorias, quando realizadas no entorno de um terreno, acabam agregando-lhe maior valor. Terrenos com boa infra-estrutura são mais caros que terrenos sem nenhuma infra-estrutura. O mesmo vale para a pavimentação das vias. Outro caso relativamente comum é o de terrenos que não são muito bem localizados, até que uma nova avenida ou rua importante é aberta, melhorando suas condições de acessibilidade. Seu preço, por consequência, acaba aumentando quase que instantaneamente.

Outra forma de melhoria da localização acontece pelo simples acréscimo de novas edificações no seu entorno, o que por si só torna sua acessibilidade melhor em relação ao conjunto da cidade. Em outras palavras, a ocupação por atividades (residenciais, comerciais, etc.) ao redor de um terreno torna-o mais próximo – e portanto com maior acessibilidade – a uma nova gama de possibilidades de interação com o resto da cidade.Essa possibilidade de interação, por sua vez, é um aspecto valorizado pelas pessoas no momento de escolher um determinado local e, por isso, acaba também contribuindo para o aumento do preço do solo.

Por que a especulação imobiliária é injusta?


Como vimos, o que se chama de “melhoria” de uma localização é o processo através do qual a qualidade da localização de um terreno em relação à disponibilidade de infra-estrutura e a outros terrenos (e portanto a outras atividades e centros de interesse) é aumentada. Dessa forma, os terrenos chamados “de engorda” ficam vazios, à espera de que o desenvolvimento da cidade se encarregue de valorizá-los, sem que nenhum investimento tenha sido feito pelo proprietário (a não ser, é claro, o IPTU, que no entanto é irrisório comparado à valorização da terra). Todo o investimento foi feito pelo Poder Publico, principalmente no caso das infra-estruturas,  e por outros proprietários privados.
Muitos contribuem para a valorização, mas poucos ficam com os lucros.

Para entender esse ponto de vista, é interessante fazer uma comparação: imagine um empreendedor qualquer, que queira ter lucro através da realização de uma determinada atividade. Para conseguir isso, ele tem que investir uma certa quantia de capital e correr um risco, proporcional à probabilidade de o negócio dar certo ou não. Os ganhos, por sua vez, também serão proporcionais ao risco corrido. Ele presta um serviço que, de uma maneira ou de outra, é útil à coletividade e, em troca desse serviço prestado, recebe sua compensação financeira. Nesse processo, ele gera empregos e movimenta a economia.

Por outro lado, o especulador imobiliário que investir a mesma quantia de capital em um terreno ocioso não está contribuindo em nada para a sociedade. Não gera empregos, não presta nenhum tipo de serviço, e pior: ainda traz inúmeros prejuízos para a coletividade, conforme será visto mais adiante. Ainda assim, por causa da valorização imobiliária conseguida através de investimentos feitos por outros setores da sociedade, alcança lucros muitas vezes bastante grandes.

A dispersão urbana e a especulação

Outra maneira de “melhorar” a localização de uma área é melhorar a qualidade dessa localização em relação ao resto das áreas disponíveis no mercado, através do acréscimo de novas áreas que sejam piores que elas. Assim, às vezes o preço de um determinado terreno sobe sem que haja nenhuma modificação no seu entorno. Isso acontece porque loteamentos são criados nas piores localizações, normalmente na periferia, isolados do tecido urbano e em condições precárias de infra-estrutura. Entretanto, mesmo esses loteamentos têm que, no mínimo, cobrir seus gastos de produção e conferir algum lucro ao empreendedor, definindo, portanto, os menores preços do mercado de terras.




Especulação imobiliária decorrente da “periferização”. Elaboração: Renato Saboya.

Com isso, o “ranking” de localizações é rearranjado, pela introdução, na sua base, de uma nova “pior” localização. As outras localizações, por consequência, passam a ser mais valorizadas, por estarem agora mais “distantes” da pior localização e mais próximas das áreas mais interessantes da cidade, ao menos em comparação com essas novas áreas que agora passaram a fazer parte do tecido urbano. Quando um terreno deixa de ser uma das piores localizações, pela adição de novas piores localizações, seu preço sobe automaticamente.

Na maioria das vezes, esse mecanismo está associado também à forma mais básica da especulação imobiliária, uma vez que deve ser feita provisão de infra-estrutura para atender a essas piores localizações, e que essa infra-estrutura acaba passando pelos terrenos mais bem localizados, valorizando-os ainda mais.

Os problemas urbanos gerados pela especulação imobiliária 

Apesar de gerar lucro para alguns poucos investidores, a prática da especulação imobiliária é extremamente prejudicial para as cidades. Por causa dela, os tecidos urbanos tendem a ficar excessivamente rarefeitos em alguns locais e densificados em outros, gerando custos financeiros e sociais. A infra-estrutura, por exemplo, é sobrecarregada em algumas áreas e subutilizada em outras, tornando-se, em ambos os casos, mais cara em relação ao número de pessoas atendidas.

"A especulação gera maiores distâncias a serem percorridas, subutilização da infra-estrutura e aumento artificial do preço da terra."

As dificuldades de deslocamento da população de mais baixa renda, especialmente nas grandes cidades, também é, em grande parte, decorrente dessa lógica especulativa, que aumenta as distâncias entre habitação e empregos. A urbanização de “piores” localizações empurra a ocupação para lugares cada vez mais distantes, e com isso as distâncias que os novos moradores têm que percorrer acabam aumentando.

Outra possível consequência da retenção especulativa de imóveis é a dificuldade de deslocamento gerada pela escassez de vias e de possíveis caminhos para quem se desloca. Isso acontece quando os terrenos ociosos são grandes, e impedem o surgimento de conexões entre áreas da cidade pelo fato de não estarem parcelados. Todo o fluxo, portanto, precisa desviar-se dessas glebas, causando estrangulamento em alguns pontos e concentração excessiva de tráfego em algumas poucas ruas.

Possíveis soluções

Diante da constatação desse problemas advindos da especulação imobiliária, alguns instrumentos urbanísticos vêm sendo utilizados para tentar coibi-la, com destaque especial para aqueles regulamentados pelo Estatuto da Cidade.

O IPTU progressivo no tempo, por exemplo, permite ao poder público sobretaxar aqueles imóveis que não estiverem cumprindo sua função social, isto é, que estiverem sendo subaproveitados em áreas que possuam infra-estrutura.

A outorga onerosa do direito de construir busca recuperar parte dos investimentos do poder público em infra-estrutura decorrentes do aumento de densidade acarretado por aquelas edificações cuja área ultrapasse a área do terreno (coeficiente 1).

A contribuição de melhoria permite que o poder público cobre dos proprietários beneficiados por obras de melhoria urbana o valor do investimento.

Entretanto, a aplicação de tais instrumentos nem sempre são implementadas, mesmo com a nova leva de planos diretores participativos, principalmente por causa de hábitos e crenças há muito tempo arraigados na cultura do brasileiro. Como explicar a alguém que sempre viu seus pais e avós segurando a venda de terras para esperar os melhores preços que agora ele não poderá mais fazer isso, sob pena de pagar mais impostos? Tarefa difícil, mas que deve ser levada a cabo paulatina e constantemente, para que seja possível modificar essa mentalidade e criar cidades mais justas para todos.

Referências bibliográficas

CAMPOS FILHO, Candido Malta. Cidades brasileiras: seu controle ou o caos. 4 ed. São Paulo: Studio Nobel, 2001.

Fonte:  Blog Urbanidades
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*O objetivo da seção Urbanidades é apresentar os temas que impactam o desenvolvimento das cidades e que precisam ser debatidos nas esferas dos poderes públicos, nos meios acadêmicos e pela sociedade organizada, para que se busquem soluções e alternativas para as questões urbanas, de forma sistêmica e integrada, considerando os fatores sociais, ambientais, econômicos, dentre outros.

Equipe de Comunicação Psol Criciúma.

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ELEIÇÕES 2016 - Tempo curto não impede a apresentação de propostas

 Candidato Odelondes participando ao vivo em programa de emissora local

O Psol está participando ativamente das atividades em que é convidado. Até o momento, tivemos a presença confirmada em seis debates para prefeito e dois para vice. Os debates para prefeito foram promovidos pela Rádio Som Maior e Jornal A Tribuna, TV Litoral Sul Canal 20, Rádio Difusora, DCE da Unesc, Rádio Transamérica e SindiSaúde, respectivamente. Os dois debates a vice foram promovidos pela Rádio Som Maior e Rádio Transamérica.

Além dos debates, a coligação foi convidada para participar de entrevistas e sabatinas por emissoras de rádio locais e entidades da sociedade civil.

Para a próxima semana, estão agendadas e confirmadas a participação em sabatinas promovidas pelo CREA, Conselho de Cultura e FORCRI, além de uma entrevista para a Rádio Som Maior e um debate promovido pelo portal de notícias Sul In Foco.

Confira as atividades da Coligação Frente de Esquerda e participe:

Sabatinas:
- CREA - 20/09 - 20:10
- Conselho de Cultura - 09:00
- FORCRI - 15:30

Entrevista:
- Rádio Som Maior - 21/09 - 07:30

Debate:
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ELEIÇÕES 2016 - Entenda o que muda nos debates eleitorais com a votação do STF




O Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou na quinta-feira (25/08) a inconstitucionalidade da regra, contida na minirreforma eleitoral, que dizia que, caso uma emissora chamasse para debates eleitorais um candidato de partido com menos de 10 deputados federais, 2/3 dos demais candidatos poderiam vetá-lo.

A partir de agora, não haverá participação dos candidatos na decisão sobre chamar ou não representantes de partidos sem 10 deputados eleitos: o poder de definir isso, após a decisão do STF, está nas mãos das emissoras, que podem chamar os candidatos de partidos menores e continuam com a obrigatoriedade sobre os demais.




Caso a regra tivesse sido votada anteriormente, mudaria os casos de Luiza Erundina, em São Paulo, e Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, que foram chamados pelas emissoras mas outros candidatos votaram contra a participação.

A regra que estabelece a obrigatoriedade de participação nos debates apenas para partidos com mais de 10 deputados foi aprovada na contrarreforma política pela Câmara dos Deputados, à época com forte articulação de seu então presidente, Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

A partir de agora, a pressão pela construção de debates eleitorais democráticos passa para as emissoras: é hora de continuar a campanha pelo PSOL nos debates de norte a sul do país. A luta não acabou!

Fonte: Psol Nacional

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